A primeira iniciativa para garantir a preservação do cerrado no Brasil foi a criação de áreas protegidas. Agora, cabe à agricultura assegurar o futuro do bioma e de sua biodiversidade.
A primeira iniciativa para garantir a preservação do cerrado no Brasil foi a criação de áreas protegidas. Agora, cabe à agricultura assegurar o futuro do bioma e de sua biodiversidade. Essa tendência é especialmente verdadeira no Matopiba, região geoeconômica de 73 milhões de hectares, com 91% de área coberta por vegetação de cerrado, englobando partes do Maranhão, Tocantins, Piauí e Bahia. Ali, há investimentos privados e recentes políticas públicas voltadas para o desenvolvimento sustentável.
Nas áreas de expansão da agricultura, o Código Florestal determina uma reserva legal de vegetação de 20% nas regiões de cerrados. Tal percentual aumenta para 35% quando esse tipo de vegetação se encontra na Amazônia Legal. É o caso de 60% da área do Matopiba. Essa exigência, além dos 19% já preservados de forma absoluta nas áreas protegidas, estende potencialmente essa proteção para mais de 11 milhões de hectares ou 28% da área total. Se toda a cobertura de cerrados do Matopiba na Amazônia Legal (32 milhões de hectares) fosse, um dia, ocupada apenas pela agricultura, o que está muito longe de ser o caso, mais de 11 milhões de hectares seriam preservados nas áreas de reserva legal (28%). No restante, os 20% de preservação dos cerrados em imóveis rurais potencialmente representam 4,6 milhões de hectares e 17% da área total.
Existem potencialmente mais cerrados a serem preservados como reserva legal das propriedades rurais do que em todas as áreas protegidas existentes no Matopiba. Assim, legalmente, apenas 59% da cobertura de cerrados do Matopiba são passíveis de ocupação. Dos 41% restantes, 17% já são áreas protegidas. E a exigência de manter a vegetação em áreas de reserva legal representa mais 24% do total. Isso, caso um dia tudo fosse ocupado pela agricultura. Graças ao Código Florestal, qualquer que seja o cenário futuro, áreas agrícolas no Matopiba cumprem e cumprirão o mais relevante papel na preservação. Isso se deve à extensão de cerrados preservados no interior dos imóveis, à ampla repartição espacial e à conexão ecológica viabilizada entre os blocos isolados de áreas protegidas pelas fazendas. No Matopiba, como em outras regiões, a salvação dos cerrados está na lavoura.
Texto: Evaristo de Miranda – Doutor em Ecologia, chefe-geral da Embrapa Monitoramento por Satélite
Foto: Ascom Aiba

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